Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Julho 29 2010

 

 

QUANDO VOEI DE MIM... ou A OUTRA METADE



(pensamentos num dia de aniversário)



Quando voei de mim pra te encontrar
o tempo estava frio
e nem sabia se era longe ou perto...


A chuva ela era densa, copiosa


O vento sibilava nas janelas
na sua voz tenebrosa
como um intenso grito
dado em silêncio num deserto


Mas era ao mesmo tempo um desafio
romper com velhas telas
e te achar
quer fosse longe ou perto


Traçara o teu perfil... a tua imagem...
Será que existirias... mesmo? assim?
De quanto era a extensão dessa viagem
quando voei de mim?


E atrás dos vários rostos
que cruzaram
comigo na distância do caminho,

por entre as várias almas que mostraram
o muito da essência do carinho,

achei-te sob a luz dum céu infindo
num dia que foi lindo
e que eternizo!

Ao pé de ti o tempo vai florindo...
e eu, sorrindo,
não voo mais de mim
que achei o Paraíso.


Joaquim Sustelo
29.07.2010

publicado por tardesdeoutono às 12:25

Julho 25 2010

ENCONTREI-TE




Na parte mais velha da minha cidade
Onde existem casas que carregam história,
Encontrei-te um dia já nestoutra idade
Em que o tempo ido nos deixou saudade
E tantas imagens carrega a memória


Olhei o teu rosto... mesma suavidade...
Olhei teu sorriso, promessa de glória,
Quando nos teus lábios sentia vontade
De lhes dar um beijo mas que na verdade
Nunca consentiste tal dedicatória


Ainda cá dentro me dançava o sonho
Uma luz mais fraca, menor densidade...
Em tempo de outono de que ora disponho
Quem dera rever-te! Já ando tristonho
Em todas as partes da minha cidade.


Joaquim Sustelo
(em CAMINHOS DA VIDA)

 

publicado por tardesdeoutono às 11:05

Julho 24 2010

 

A VIDA

 

 

A vida não é nada...
Apenas sopro que num gesto breve
desfaz ao vir o Sol na madrugada
uma mão cheia de neve

 


Apenas nuvem que passa
e nos saúda célere do alto
Apenas gota que cai duma vidraça
morrendo inanimada no asfalto

 


A vida é fumo. É vento...
Um grito que irrompeu e já se esconde...
É sombra que nos morre com o tempo
sei lá como... sei lá onde...

 


Mas no entanto a vida,
momento que esvoaça ante a grandeza
da Natureza calma e colorida,
pode ser bela. Ter encanto! Ter beleza!

 


Basta que eternizemos e já hoje
um jeito de a olhar... com outros modos...
Que a Paz pé ante pé em nós se aloje
e possa haver Amor entre nós todos.

 


Joaquim Sustelo
(em CAMINHOS DA VIDA)

 

publicado por tardesdeoutono às 12:26

Julho 21 2010
Olá prezadíssimos amigos
com o meu caloroso abraço de amizade Lusíada deixo-vos este poema:
 
INDELÉVEL SAUDADE
É o poema declamado que seleccionei para esta semana em jeito de despedida
da Pátria Mãe e dos muitos amigos com quem tive o grato prazer de conviver
por todo o Portugal durante estes últimos 3 meses de férias .
Veja-o e ouça-o em poema da semana ou aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Indelevel_Saudade/index.htm
 
Regresso ao Canadá no próximo dia 23
Por favor substitua o presente e mail de Portugal
pelo meu habitual  e mail do Canadá:
 
cavaco@sympatico.ca
 
Euclides Cavaco
 
 
Venha tomar comigo um cálice de poesia...
Entre por aqui na minha sala de visitas:
www.ecosdapoesia.com
 
publicado por appoetas às 00:06

Julho 20 2010
Querido amigo (a):
 
 
Estarei com um programa na rádio ABC Web Music todas as terças-feiras das 22 às 24 horas (hora portuguesa).
  
O programa chama-se MOMENTOS DE POESIA COM JOAQUIM SUSTELO e nele passarei poemas (meus, de poetas ditos consagrados, de poetas amigos...) e músicas.
 
Se tiver poemas seus, ou outros de que goste, pode enviar-me. De preferência gravados, que os irá ouvir.
 
Aceda à rádio clicando simplesmente neste link:   http://www.abcwebmusic.com.br/ Faça já e experiência e ficará a ouvir lindas músicas. Depois coloque nos seus Favoritos.
 
Conto consigo! Não se esqueça! Às terças, entre as 22 e as 24 horas (hora portuguesa).
 
Abraço
 
Joaquim Sustelo
 
 
(colocado por Maria Ivone Vairinho)
publicado por appoetas às 16:47

Julho 20 2010

Se falo, é só de mim! Se aqui confesso

As faltas que por mim são cometidas,

É de livre vontade; eu nunca peço

A absolvição das culpas já sentidas...


Tentando melhorar, eu pago o preço,

Cumprindo-me nas coisas prometidas

E aceito sempre as graças - se as mereço… -

Por obra de promessas já cumpridas.


Sou, no entanto, humana… um ser carnal

Que, por vezes, se acende de paixão

E se rende nos braços de um poema…


Mas sempre que a paixão me corre mal,

Tentando resistir à sedução,

Procuro a solução deste dilema…

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

Tema proposto por Carmo Vasconcelos na AVSPE, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - Julho de 2010


publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:03

Julho 19 2010

 

Este é meu grande dilema

No bico de minha pena

Seguir este meu caminho

Minh’alma tem um sentido

Meus passos, um sustenido

Nesta casca onde me aninho.

 

Palavras emudecidas

Silêncios delas paridas

Sentidas com emoção.

Dão azo a esta sentença,

È que sem a indiferença

Não há elo de ligação.

 

Minha vida é um fadário

Ouço um fado de Hilário

Reflectindo horas poucas.

Mas no silêncio de mim

Há ainda um outro sim

Reduzido a horas loucas.

 

Quero apenas escrever

Sob um breve amanhecer

Sobre o sonho que passou.

E é no silêncio da larva

Que pincelo linha parva

Numa tela que restou.

 

Desbravando os desafios

Vou tecendo os poucos fios

Que tenho na minha mão.

São linhas do meu interno

Bordadas no meu caderno

Minha inteira criação.

 

Continua em dualidade

Um dilema, bem verdade!

Quero ser o que não sou.

Sou a história que criei,

Sobre ela debrucei,

Em nome dela aqui estou.

 

 

Sentimentos de mãos dadas

Sem nenhum conto de fadas

Rimam, rimam no papel.

Já nem sei se sou madrasta

Se sou personagem casta

Nesta Torre de Babel.

 

 

Vou seguindo a minha história

Quero deixar em memória

Um mural de pensamentos.

Uma Obra Literária

Com palavras de operária

Entre risos e lamentos.

 

  

É na berma das manhãs

Que reflicto os meus afãs

Nas margens de um rio ocioso.

Deixo a flor ir na corrente

Leva o meu cantar dolente

De ser poeta, pretensioso.

 

 

Cecília Rodrigues

Julho-2010

 

Tema proposto pela:

ACADEMIA VIRTUAL SALA DE POETAS E ESCRITORES
*AVSPE* 
EVENTO “DILEMAS” – JULHO 2010
Por Carmo Vasconcelos

 

publicado por Cecilia Rodrigues às 23:45
editado por appoetas em 20/07/2010 às 17:17

Julho 14 2010

TEMPO DE BRUMA



Quando o sol se põe
Mais cedo que a hora,
Quando até nem nasce
E há sempre bruma,
Só a dor compõe
A alma que chora;
E a vida desfaz-se
No tempo que esfuma


Mais cedo que a hora
A noite vem fria;
Telhados de vento,
Bancos de jardim...
A alma se escora
Aguardando um dia
Que traga um alento
Que à dor ponha fim


Quando até nem nasce
A esp'rança que acalma
Nas noites que param
Ao frio, ao relento,
O corpo desfaz-se
Entristece a alma
As feridas não saram
Por fora e por dentro


E há sempre bruma
No espaço em redor;
Mentem os que falam
Dum mundo-harmonia;
(Palavras de alguma
Sebenta de cor
Mas que não embalam,
Trazendo apatia)


Só a dor compõe
Quem a dor só sente;
E crescem nos guetos
A raiva, a revolta...
Não vai lá ninguém
Que seja "outra gente"
Há receios, medos,
E nada os escolta


À alma que chora
Com falta de tudo,
De cama, de pão,
De roupa mais quente,
Ao corpo lhe aflora
Por vezes veludo,
- Têm coração
Que ama e que sente


E a vida desfaz-se
No tempo que passa...
A estrada é cinzenta
Não mostra equidade;
Como iguais se nasce,
Como igual se abraça,
Porque não se inventa
Maior igualdade?


No tempo que esfuma
Que se dê a mão!
O rico, em impostos,
Dê mais afinal
Que a Terra é só uma
E todo é irmão:
De dif'rentes rostos
Mas de olhar igual.



Joaquim Sustelo

 

publicado por tardesdeoutono às 21:28

Julho 14 2010

“Tem asas pr`a voar!”, pensava então,

Considerando o Espaço Virtual…

Depois tomei pr`a mim quanta ilusão

Surgira desse Espaço e, afinal…


Esse Espaço tornou-se habitação

E, sempre que engrossava o seu caudal,

- fruto de uma imprevista reacção-

Cresciam-lhe umas asas de cristal…


Estas coisas da química da vida

Podem, por vezes, ser surpreendentes

E trazer-nos tão estranhos resultados


Como esta reacção tão desmedida,

Tão ímpar, talvez tão sem precedentes

Quanto as asas reais dos seres alados…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:24

Julho 12 2010

Quando me nasce a noite na boca
escolho um vinho maduro
para que me escorra na garganta o tempo
enquanto salivo luares alucinados.
O corpo tomba na foz do dia
o olhar acomoda-se naquela mancha na parede
e mastigo uma vindima com sabor a silêncio.
Oiço os cânticos daquele ano
cheiro o suor das vindimadoras e o melaço das uvas
prende-se-me aos lábios a fruta madura
em gotas grossas de vermelho paixão em hora de colheita.

Quando me nasce a noite na boca
descanso o pensamento
nas colinas argilosas viradas ao sol
que desavinham no meu peito mais uma vez.
Viro-me na madrugada que colho
no sentimento mais ébrio do momento
e adormeço na madeira de cada videira
que me alimenta na seiva da vida.

Quando me nasce a noite na boca
descanso com o granjeio de mais um ano
enquanto o prateado do luar é lençol
que protege a vinha neste cio de mão humana.

publicado por Vanda Paz às 22:51
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